Decidas Radicais

 

como abordar aclives/declives em seu 4x4 com marchas certas.

 

Um utilitário fora de estrada deve abordar rampas de no mínimo 30º de inclinação, sem que vire para trás, ou que o motor “engasgue”, como pode eventualmente acontecer com motores a gasolina e carburador. Os modelos atuais sobem facilmente rampas de até 45º. Após analisar o trecho, verificando o tipo de piso e o que tem do outro lado, engate a tração 4x4, reduzida e o blocante. Você poderá usar desde a primeira até a terceira marcha, cada tipo de piso irá exigir uma tomada de decisão diferente. O uso de uma marcha mais solta - como a segunda ou terceira -, lhe dará mais margem para redução, caso perca embalo e precise de mais potência durante a subida.

 

Posicione o veículo em linha reta com o topo e o final da subida. Inicie o deslocamento com um pouco de embalo. Mantenha o pé no acelerador e o motor em alta rotação. Não use a embreagem. Se sentir que pode perder aderência, gire rapidamente o volante para a esquerda e direita e não tire o veículo da linha reta para o topo. 

 

 Jamais suba em ângulo com o final do percurso. Como já mencionado, se o veículo escorregar para o lado pode ficar difícil retomar o controle da direção.


 

Mas suponha que você realmente faça tudo certo e o veículo resolva sair de lado: então, freie rapidamente, engate marcha à ré e solte os dois pedais recolocando o veículo em linha reta até o ponto de partida. Não pise no pedal de embreagem. Se precisar segurar o veículo acione o freio de forma cadenciada imitando o ABS, não trave as rodas e deixe o motor ajudar a fazer o trabalho de frenagem. Caso perceba que os pneus começam a deslizar sem tração, acelere para recuperar o controle da descida.

 

Veículos com caixa automática podem não ter o freio motor suficiente, neste caso, freie com o pé esquerdo e acelere suavemente com o direito. Atenção no final do aclive Uma vez embaixo, repita toda a operação até atingir o final do aclive. Faça tudo com moderação, prudência e calma. Quando estiver próximo do ponto final da subida, diminua a velocidade até parar no topo. Não passe direto, pois pode haver agora uma grande descida pela frente ou uma curva fechada, e novas providências devem ser tomadas.

 

Fique atento ao concluir a subida, talvez você não encontre terreno suficiente para apoiar as quatro rodas e o veículo poderá se transformar em uma gangorra, ficando com sua parte central pendurada no topo do aclive. Para abordagem de subidas íngrimes com rochas, o procedimento é um pouco diferente, já que a manobra vai exigir baixas velocidades e basicamente a primeira marcha reduzida e o blocante acionado. Você está agora em um terreno de grande atrito e não vai precisar de embalo para subir. Como o veículo vai chacolhar para todos os lados é fundamental que você mantenha a baixa velocidade, para manter os pneus o máximo possível em contato com o terreno. Aqui, também é importante o longo curso da suspensão, já que será exigida ao máximo.

 

 

[2º] - Dicas para o aventureiro que quer passar por declives radicais.

 

Inspecione a pé o que tem pela frente. Se o terreno estiver muito lamacento ou liso por pedras soltas, grama ou areia, um simples escorregão fará o veículo deslizar com a possível perda de controle. Em uma descida íngreme, você deverá procurar algum ponto que sirva de apoio para os pneus como, por exemplo, uma vala ou até mesmo um facão pequeno que possa guiá-los morro abaixo.

Mas se não encontrar nada, é hora de cavar! Faça duas canaletas que possam guiar os pneus, pois isto ajudará o veículo a manter-se na direção desejada. Para esta manobra você vai usar as marchas reduzidas e o freio-motor, desta forma usará menos o sistema de freio e garantirá mais controle da direção.

 

Mas a escolha de uma marcha extremamente reduzida pode provocar outro problema, que é o travamento das rodas, resultando no mesmo efeito de se frear com força e fazendo o veículo deslizar. Então, escolha a marcha que proporciona tração e controle como a primeira ou segunda, e em certos casos até a terceira reduzida. Posicione o veículo em linha reta com a descida e alinhe o volante.

 

Comece a descer e fique atento para o comportamento do veículo. Se começar a sair de lado, é sinal de que precisa de um pouco mais de velocidade. Isso pode acontecer devido a uma de duas alternativas: ou o peso da carga na caçamba está forçando a traseira para frente; ou o peso da dianteira é maior que o da traseira, o que faz com que os pneus traseiros percam o atrito com o terreno e deslizem, provocando a saída do veículo para o lado. Então acelere com pulsadas rápidas para recuperar o controle da direção. Se pisar no freio a coisa vai complicar, pois você poderá travar as rodas de trás, que poderão estar com pouco atrito, e elas vão escorregar forçando o veículo a atravessar de lado no trecho, podendo inclusive se inclinar perigosamente.

 

Em veículos com caixa automática, engate a primeira reduzida manual. Se ele ainda estiver mais acelerado do que o desejado, mantenha o pé esquerdo no freio e o direito no acelerador, procurando manter a tração e o controle de direção.

 

 

[3º] - Saiba como atravessar terrenos de areia.

 

Para atravessar terrenos arenosos, engate as rodas-livres, a tração 4x4 e o blocante, sempre antes de enfrentar o trecho. A marcha ideal depende muito do tipo de areia que terá pela frente, mas invariavelmente a segunda, terceira ou quarta reduzida resolvem o problema.

 

Em certos casos até a primeira marcha normal poderá ser tentada, mas a vantagem da reduzida é que você pode colocar uma marcha mais forte se precisar, enquanto que a primeira marcha normal certamente não lhe dará essa margem, e você terá que parar para engatar, então, a alavanca para reduzida.

 

A experiência irá lhe mostrar a melhor solução para cada local. Outro artifício importante é a diminuição da calibragem dos pneus. É bom lembrar que a escolha dos pneus é fundamental, pois o veículo precisa de toda a flutuação possível, e isto pode ser conseguido com pneus do tipo AT - All Terrain, como o Wrangler SR/A, o AT/S ou, ainda, o RT/S. Ao entrar no trecho segure o volante com firmeza e entre com determinação, mantendo a aceleração alta e constante.

 

jeep na areia da praia de ajuruteua2

 

Uma vez iniciado o deslocamento, procure não frear bruscamente quando precisar parar. Freie com suavidade ou tire o pé do acelerador e desengate a marcha, deixando que a resistência do terreno segure o veículo. Se você frear com violência o travamento das rodas provocará o acúmulo de areia na frente de todos os pneus, que terão dificuldade em subir esses pequenos montes para seguir adiante. Procure ver sempre mais adiante na trilha, já que você irá encontrar rapidamente mudanças de terreno como um aclive mais acentuado ou o final brusco de uma duna, onde será exigida mais aceleração, ou o alívio do pé no acelerador, respectivamente.

 

Se atolar, tente primeiro mover o veículo com uma arrancada suave, se precisar dê uma ligeira marcha à ré e em seguida engate uma segunda reduzida. Faça isso com destreza, até criar um suave balanço ou “momentum” como é mais conhecido, que embalará o veículo por cima da areia fofa iniciando o movimento para sair do buraco. Quando sentir que pode sair, use a segunda marcha e siga adiante. Por outro lado, se você encalhar não há porque se sentir derrotado já que todos, sem exceção, até mesmo os pilotos do Paris-Dakar encalham, mais cedo ou mais tarde, em trechos de areia fofa. Alivie o peso do veículo e comece a cavar em frente ou atrás de todas as rodas, dependendo que direção você decidiu tomar - se adiante ou de ré.

 

Saiba, entretanto, que sair de ré será mais fácil. Retire a areia que está travando diferenciais e chassi. Faça uma rampa suave para que os pneus iniciem o deslocamento. Se tiver água em abundância por perto, como na praia, por exemplo, molhe a areia logo à frente ou atrás das rodas, de acordo com a direção que você decidiu seguir, que isso irá compactá-la e facilitará a operação.

 

Só tome cuidado para que a água salgada não entre em contato com as partes mecânicas e com a carroceria. Feito tudo isso é hora de dar a partida no motor e engatar a segunda marcha reduzida. Para veículos automáticos coloque a alavanca em 2. Acelere suavemente e as pessoas que puderem ajudar, devem empurrar o veículo sem balançá-lo para os lados, sob o risco de fazer os pneus cavarem a areia, afundando o veículo novamente. Se conseguir sair não pare até encontrar terreno firme, do contrário é hora de começar tudo de novo.

 

 

[4º] - Encarando inclinações com seu veículo 4x4.

 

A capacidade de vencer fortes inclinações laterais é uma das características mais importantes em um utilitário fora de estrada. A abordagem errada de um trecho muito inclinado, poderá causar o tombamento do veículo. Isto porque a maioria dos utilitários possuem o centro de gravidade, ou baricentro, mais alto do que o de carros de passeio.

Se não houver outra alternativa a não ser cruzar o trecho inclinado, faça uma inspeção a pé e observe com atenção duas possíveis situações: na primeira veja se na parte de cima existe algum objeto ou elevação maior do que o limite que seu veículo pode enfrentar. Em caso afirmativo, ele terá uma inclinação acima do tolerável neste ponto, podendo tombar para o lado.

 

Na segunda situação inspecione a parte debaixo, que poderá esconder um buraco ou valeta mais funda, fazendo novamente o veículo ficar em situação crítica. Se sentir dificuldades, cave uma canaleta no lado de cima, por onde os pneus terão mais apoio para vencer a inclinação.

 

Entre na inclinação com 4x4, reduzida e blocante de diferencial central acionado. Se tiver blocante nos diferenciais, acione somente o traseiro, pois se bloquear o dianteiro terá dificuldade para esterçar o volante quando precisar. Uma vez iniciado o deslocamento, não pare até sentir que existe terreno firme para retomar o equilíbrio e parar com segurança.

Ter a sensação de que se está tombando de lado, na maioria das vezes, pode significar apenas a suspensão se acomodando. Caso sinta que o veículo vai tombar, esterce rapidamente o volante para que os pneus fiquem no sentido da descida e acelere com determinação. Dependendo da intensidade da inclinação, ele não vira e tem o seu rumo corrigido, mas se realmente virar, ele o fará devagar - dificilmente tombando com violência. Com um pouco de trabalho você o coloca em pé novamente. Para evitar problemas como esse, certifique-se, também, de que a carga transportada está firmemente armazenada no interior do veículo ou na carroceria de uma pick-up. Ao entrar no trecho inclinado, a carga solta irá deslizar para a parte de baixo desequilibrando perigosamente o veículo.

 

Se outras pessoas estiverem por perto, oriente para que se coloquem em cima do bagageiro, no lado do veículo que estiver para cima, provocando o retorno e a manutenção do equilíbrio. Nunca permita que alguém se posicione do lado de baixo, pois se o veículo tombar poderá causar uma tragédia. O baricentro de um veículo, seja 4x4 ou não, irá variar para pior toda vez que alterações em sua estrutura forem feitas, como aumentar o curso da suspensão, trocar os pneus originais por pneus mais altos ou instalar o bagageiro colocando peso excessivo na parte mais elevada.

 

Se precisar fazer isso, aprenda as novas reações do veículo e saiba que o comportamento vai mudar muito. Os bagageiros devem transportar apenas cargas volumosas e de pouco peso. Você pode instalar no painel do seu 4x4 um acessório conhecido como ‘inclinômetro’, que mostra as inclinações do terreno em aclives, declives e inclinações laterais. Existem modelos avulsos vendidos no mercado especializado, e em alguns veículos o equipamento vem montado no painel.

 

 

[5º] - Saiba como superar trechos rochosos com marcha reduzida.

 

Ao atravessar um trecho com rochas, é fundamental o uso de baixa velocidade. Sendo assim, é necessário utilizar tração 4x4 e reduzida. Em 100% das situações, a primeira marcha será a ideal e, para caixas automáticas, a melhor alternativa é colocar a alavanca em “L”.

 

Regiões pedregosas como as estradas secundárias na Floresta Atlântica, regiões da Serra Geral no Rio Grande do Sul e margens de rios com fundo pedregoso, requerem muita atenção para se evitar choques violentos contra o piso rochoso. Quando entrar em uma trilha, com lombadas muito fortes ou pedras muito altas, procure desviar a parte debaixo evitando o choque de pedras pontiagudas contra os diferenciais, eixos cardã, cárter e até o tanque de combustível.

 

Se isto não for possível, porque a estrada ou trilha é muito estreita, faça um dos pneus dianteiros passar por cima da pedra. Com isto, você evitará que ela bata embaixo do veículo. Preste atenção ainda na transposição central, para que a pedra não se choque com a carroceria.

 

 

Em situações críticas em que qualquer erro pode travar o veículo entre as pedras, ocasionando o choque com componentes inferiores ou carroceria, é prudente contar com a ajuda de um auxiliar que possa orientar o motorista. Essa segunda pessoa vai ter outro ângulo de visão, o que ajudará na escolha do melhor trajeto.

 

Finalizando, use sempre a primeira marcha reduzida e blocante, quando atravessar terenos pedregosos. Siga devagar, e sempre atento para mudar o trajeto quando encontrar pedras muito grandes. Esse tipo de terreno também requer o manuseio do volante de forma suave, permitindo que os pneus trabalhem livres, desviando para esquerda ou direita, quando se depararem com pedras ou pequenas irregularidades do solo. Fique atento para não sair da trajetória principal, mantenha-se na direção certa e deixe o veículo “procurar” pelo melhor caminho, assim você aumenta a vida útil do barramento de direção.

 

Fonte: Curso de Condução Off Road DPaschoal & Goodyear